quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A BELA HISTÓRIA DA CANÇÃO "SAUDADE"

036-O exilado


Letra : Justus Henry Nelson
Música: Stephen Collins Foster




O EXILADO THE SWANEE RIVER
(Old Folks at Home)

- Letra original -

1
Da linda pátria estou bem longe;
Cansado estou;
Eu tenho de Jesus saudade,
Oh, quando é que eu vou?
Passarinhos, belas flores,
Querem m'encantar;
São vãos terrestres esplendores,
Mas contemplo o meu lar.

2
Jesus me deu a Sua promessa;
Me vem buscar;
Meu coração está com pressa,
Eu quero já voar.
Meus pecados foram muitos,
Mui culpado sou;
Porém, Seu sangue põe-me limpo;
Eu para pátria vou.

3
Qual filho de seu lar saudoso,
Eu quero ir;
Qual passarinho para o ninho,
Pra os braços Seus fugir;
É fiel - Sua vinda é certa,
Quando... Eu não sei.
Mas Ele manda estar alerta;
Do exílio voltarei.

4
Sua vinda aguardo eu cantando;
Meu lar no céu;
Seus passos hei de ouvir soando
Além do escuro véu.
Passarinhos, belas flores,
Querem m'encantar;
São vãos terrestres esplendores,
Mas contemplo o meu lar.

1
Way down upon the Swanee River,
far, far away.
That's where my heart is turning ever.
That's where the old folks stay.
All up and down the whole creation,
sadly I roam,
Still longing for the old plantation,
and for the old folks at home.

2
All the world is sad and dreary,
everywhere I roam,
Oh! darkeys, how my heart grows weary,
far from the old folks at home.
All 'round the little farm I wandered
when I was young,
Then many happy days I squandered,
many a song I sung.

3
When I was playing with my brother
happy was I.
Oh! take me to my kind old mother,
there let me live and die.
All the world is sad and dreary,
everywhere I roam,
Oh! darkeys, how my heart grows weary,
far from the old folks at home.

4
One little hut among the bushes,
one that I love,
Still sadly to my mem'ry rushes,
no matter where I rove.
When will I see the bees a-humming'
all around the comb?
When will I hear the banjo strummin'
down in my good old home?

5
All the world is sad and dreary,
everywhere I roam,
Oh, darkeys, how my heart grows weary,
far from the old folks at home.


História

Stephen Collins Foster escreveu "Old Folks at Home" em 1851, na cidade de Pittsburgh, estado americano da Pennsylvania. Muitos têm afirmado que esta canção é ofensiva e racista pelo fato de haver sido elaborada com palavras do dialeto utilizado pelos escravos, como se fosse um negro cantando com saudades da sua família que havia sido deixada na velha plantação (de old plantation).

Seja como for, todo o texto foi produzido com expressões nostálgicas, passando a impressão de que alguém está longe de casa e separado da sua família.

Apesar das controvérsias, havendo muitos que insistem em afirmar que o texto é racista, a melodia "The Swanee River" (Old folks at home), tal como foi escrita e composta por Stephen C. Foster, com algumas pequenas correções, foi adotada como a canção oficial do estado da Flórida no dia 25 de Maio de 1935.

Stephen Collins Foster (04/071826 a 13/01/1864), conhecido como o "pai da música americana", foi um proeminente compositor americano do século XIX. Suas canções, incluindo "Oh! Susanna", "Camptown Races", "My Old Kentucky Home", "Old Black Joe", "Beautiful Dreamer" e "Old Folks at Home" ("Swanee River") permanecem populares mais de 150 anos depois de sua composição.

Os metodistas contribuíram para a hinódia brasileira através de missionários como Justus Henry Nelson e Benjamin Nind, que cooperaram com a tradução dos versos em inglês para o português.

No caso deste hino "O Exilado", a situação em que se encontrava, longe de casa, em terra estranha, com saudade da família, etc, seria no mínimo razoável que se lembrasse de uma música folclórica como esta. O missionário Justus Henry Nelson fez a adaptação necessária da melodia rural "Old Folks at home", de Stephen Collins Foster para produzir: "Da linda pátria estou mui longe...", tendo sido aproveitada tanto no antigo "Cantor Cristão" (número 484) como no "Salmos e Hinos" (número 592).

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Vencendo Vem Jesus...

Vencendo Vem Jesus (Julia Ward Howe)

Foi no outono de 1861 que a escritora Julia Ward Howe e seu marido, médicos a serviço do governo dos Estados Unidos, mudaram-se para Washington D.C., capital. Julia, abolicionista, mas pacifista, angustiou-se ao ver a atmosfera de ódio e as preparações frenéticas para uma guerra entre os Estados. Dia após dia as tropas passaram por sua porta, cantando John Brown’s Body (O Corpo de John Brown), canção de melodia contagiante que contava a história da morte de John Brown, com alguns dos seus filhos, num violento esforço individual para acabar com a escravidão. Um dia, enquanto ouviam as tropas cantando, um visitante do casal, o pastor da sua igreja anterior, conhecendo a sua habilidade de poetisa, virou-se para Julia e a desafiou:"Porque a senhora não escreve palavras decentes para aquela melodia?" "Farei isto!" respondeu Julia. As palavras vieram a ela antes do novo amanhecer. A senhora Howe relata:
"Acordei na penumbra da madrugada, e enquanto esperava a aurora, as linhas do poema começaram a se entrelaçar na minha mente. Disse a mim mesma, 'Preciso me levantar e escrever estes versos, para não tornar a dormir e perde-los!' Então me levantei e no escuro achei uma pena desgastada, que me lembrei de ter usado o dia anterior . Rabisquei os versos quase sem olhar o papel."

Assim nasceram palavras "decentes" e empolgantes para aquela melodia muito conhecida, que surgira nos Camp Meetings do Sul anos antes da guerra civil. Em pouco tempo, todo o Norte estava cantando a letra de Julia Ward Howe. O hino foi publicado no periódico mensal Atlantic Monthly (Revista Mensal Atlântico) em Boston, Estado de Massachusetts, em fevereiro de 1862. Conta-se que a primeira vez que o presidente Lincoln ouviu o hino, chorou e pediu:"Cante-o mais uma vez."

Ao longo dos anos, o hino perdeu qualquer resquício de partidarismo e tornou-se um dos hinos mais amados dos Estados Unidos. Arranjos maravilhosos deste hino foram feitos por compositores de renome e cantados nos momentos mais solenes do país. Foi cantado na posse do Presidente Lyndon Johnson, e, tornando-se internacional, no culto funerário de Winston Churchill, como planejado por ele mesmo.

Julia Ward Howe, (1819-1910) nascida em Nova Iorque numa família de distinção, se uniu com seu marido, o Dr. Samuel Gridley Howe, em obras humanitárias. Foi pioneira no movimento para o voto feminino, abolicionista ardente, pacifista e muito ativa nas obras sociais. Tornou-se oradora destacada de muita influência. Em 1870, organizou uma cruzada com este alvo:que as mulheres do mundo se organizassem para acabar com a guerra de uma vez por todas. Pregava freqüentemente na sua denominação e em outras, Julia publicou, entre outros escritos, três volumes de poesia. Em 1910, doze dias antes da sua morte, foi lhe conferido um Doutorado em Direito (honoris causa) em homenagem às suas muitas realizações humanitárias.

Nas mãos do inesquecível Ricardo Pitrowsky este hino tornou-se um hino triunfante da volta de Jesus, assunto que empolgava este servo de Deus. Sua excelente adaptação da letra de Julia Ward Howe fez o hino amado em toda a nação brasileira. Ao fazê-la Pitrowsky escreveu:

"Este hino é a expressão da gloriosa esperança da segunda vinda de Jesus a este mundo, para ser, no fim, vitorioso sobre todas as forças do maligno. Isto nos dá coragem para proceder na sua obra."

O nome desta melodia americana, BATTLE HYMN (Hino da Batalha), vem das primeiras palavras do título do hino no original

Bibliografia: Pitrowsky, Ricardo. In: Paula, Isidoro Lessa de, Early Hymnody in Brazilian Baptist Churchs, Fort Word, School of Church Music, Southwestern.

Vencendo Vem Jesus (Battle Hymn)

Já refulge a glória eterna de Jesus, o Rei dos Reis;
Breve os reinos deste mundo Seguirão as suas leis!
Os sinais da sua vinda mais se mostram cada vez.
Vencendo vem Jesus!

Glória, glória! Aleluia! Glória, glória! Aleluia!
Glória, Glória! Aleluia! Vencendo vem Jesus!

O clarim que chama os crentes À batalha já soou;
Cristo, à frente do seu povo Multidões já conquistou.
O inimigo em retirada, seu furor patenteou.
Vencendo vem Jesus!

Glória, glória! Aleluia! Glória, glória! Aleluia!
Glória, Glória! Aleluia! Vencendo vem Jesus!

Eis que em glória refulgente Sobre as nuvens descerá,
E as nações e os reis da terra Com poder governará.
Sim, em paz e santidade Toda a terra regerá.
Vencendo vem Jesus!

Glória, glória! Aleluia! Glória, glória! Aleluia!
Glória, Glória! Aleluia! Vencendo vem Jesus!

E por fim entronizado As nações há de julgar,
Todos grandes e pequenos, O Juiz hão de encarar,
E os remidos triunfantes, Em fulgor hão de cantar:
Vencido tem Jesus!

Glória, glória! Aleluia! Glória, glória! Aleluia!
Glória, Glória! Aleluia! Vencido tem Jesus!

Texto apresentando a história do hino retirado do site Música Sacra e Adoração.